mobilidade urbana

É claro que o Serviço 710 foi para o vinagre! Pelo fim da amnésia eleitoral

A princípio, estava relutante em escrever sobre o melancólico fim do Serviço 710, responsável por oferecer uma operação unificada das linhas 7-Rubi (na altura, Jundiaí-Francisco Morato-Brás) e 10-Turquesa (então, Brás-Rio Grande da Serra). Relutei não por não achar relevante, mas por achar cansativo. Legenda: Detalhe de diagrama do Serviço 710 na plataforma com destino a Francisco Morato/Jundiaí, na Estação Tamanduateí. Retrato do passado. Fotografia de outubro de 2024 Não há novidade em mais um ataque contra a população usuária, que tem seu bem-estar refém de arranjos privatizantes que unem os governos estadual e federal.

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Análise do fluxo de pedestres no Terminal Central de Mauá

Durante recente visita ao município, tive a oportunidade de analisar o movimento no terminal e percorrer diversas vezes o trajeto em direção ao lado B. Observei que a maioria dos usuários prefere descer pela plataforma C — o caminho mais direto — e, em seguida, atravessam diagonalmente em direção às plataformas F, G e H, onde há uma abertura no guarda-corpo. Vale destacar que o acesso oficialmente indicado seria pela plataforma A, que de fato oferece maior segurança por dispensar travessias.

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Criatividade defensiva: como a mobilidade marginalizada me fez um escritor melhor

Se você me vir xingando a 574J-10, já sabe: a disciplina de Bases Matemáticas voltou à minha rotina universitária. E, junto dela, voltou também o roteiro tragicômico que une a Vila Formosa, na Zona Leste paulistana, à avenida Kennedy, em São Bernardo do Campo, costurado por linhas que não se encontram, corredores que nem sempre existem e escolhas de transporte dignas de um teste de resistência. Legenda: Avenida Kennedy às 22h47 de 10 de março de 2025: ciclovia/pista de caminhada se destaca e oferece “tapete vermelho” em meio à arborização (à direita, está o Parque Raphael Lazzuri) Sim, voltarei a cursar a disciplina que persiste como um karma do meu ciclo acadêmico — e, como não poderia deixar de ser, isso envolve voltar a atravessar a metrópole de leste a sudeste com a leveza de um saco de cimento.

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As marginais de São Paulo e a negação da cidade

A Marginal Tietê não é somente uma rodovia. É uma sentença. Um rio de veículos ladeando um rio morto. Um dos piores cartões de visita urbanos do mundo — e, ainda assim, aceito. Aceito como destino, como funcionalidade, como cicatriz convertida em moldura. Entre o barulho incessante, o cheiro de diesel e a paisagem de galpões e concreto, o paulistano passa e repassa, todos os dias, pela prova viva de que sua cidade parece ter desistido.

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Farsa e planejamento. Planos patinam da contratação à execução

Introdução A cada ciclo de gestão municipal, um novo prazo. Desde 2015, os Planos de Mobilidade Urbana (PlanMobs) se arrastam nas gavetas das prefeituras da RMSP (Região Metropolitana de São Paulo), ora por inércia, ora por conveniência. Em 2025, uma década depois do prazo original, pelo menos 12 municípios ainda não cumpriram a obrigatoriedade legal de produzi-los. Entre eles, Caieiras. A constatação veio de forma peculiar: uma publicação do Portal Dois Pontos no Instagram que cita uma matéria da Globo que sequer estava disponível quando foi mencionada pelo jornal local.

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Mobilidade sem solidariedade: quando a disputa entre oprimidos fortalece a hegemonia

O que vemos nos chamados "debates sobre mobilidade urbana" promovidos por veículos de imprensa hegemônicos é, frequentemente, um simulacro de debate. As mesas redondas reúnem representantes de empresas interessadas na expansão de seus negócios, membros do poder público alinhados com as diretrizes de concessão e privatização, e uma ou outra figura da sociedade civil cuidadosamente escolhida para não romper o tom protocolar. Um bom exemplo foi o último Summit Mobilidade do Estadão, onde temas como mototáxi e concessões metroferroviárias foram tratados com representantes da 99 e da Linha 6 do Metrô.

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Esquerda vive dilemas com símbolos das elites passadas

O texto sobre o Edifício Guarany, ao mencionar a obra de Di Cavalcanti no Edifício Triângulo, abre uma brecha para uma discussão mais objetiva em torno da contradição entre preservação e acúmulo de capital cristalizado no passado. Tomemos, mais uma vez, a seguinte publicação do vereador paulistano Nabil Bonduki (PT): Legenda: Apelo em torno do restauro de obra de arte no Edifício Triângulo, projetado por Oscar Niemeyer. Clique aqui ou na imagem para acessar a publicação no Instagram do vereador Nabil Bonduki (PT) Começo com uma provocação: quando o edifício foi erguido, num momento distinto da acumulação de capital no local, e do qual ele é produto direto, pois representa uma forma de cristalização dessa acumulação, o poder público pagou pelos mosaicos?

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Luxo decadente e a despolitização na preservação de símbolos de uma burguesia em ruínas

Introdução Ao me deparar com discussões como a do episódio “Pioneiro e Solitário”, do canal São Paulo nas Alturas, de Raul Juste Lores, sempre termino achando que tem faltado um direcionamento de esforços mais cuidadoso nas fileiras do campo progressista, que tem se colocado como aliado de um punhado de famílias com musculatura financeira suficiente para morar nos bairros mais nobres do Centro Expandido. Legenda: Vídeo do canal São Paulo nas Alturas, traça comparações entre dois edifícios pioneiros, em São Paulo e Nova Iorque, para discutir questões ligadas ao Centro e ao Parque Dom Pedro II.

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Faraonismo rodoviarista continua drenando recursos no Grande ABC

Muitas vezes, nos deparamos com sequências de acontecimentos que, em meio à correria diária, acabam ficando em segundo plano, com pouca ou nenhuma menção em nossos espaços cibernéticos. Recentemente, o Grande ABC ofereceu uma série de demonstrações em torno da mentalidade rodoviarista, que ainda predomina e reforça o triste diagnóstico da mais recente edição da Pesquisa Origem e Destino. A cobertura pouco crítica da imprensa local, que costuma ser ainda mais fraca do que os veículos sediados na capital, contribui para criar um clima de propaganda e normalização, sem suscitar grandes dores de cabeças às prefeituras.

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Túnel denunciado pelo COMMU é cancelado, mas continua nas Metas da prefeitura. Como ajudar

Contextualização A proposta de um túnel de 600 milhões de reais para evitar um único semáforo para carros na Sena Madureira, Vila Mariana, sofreu uma grande derrota após o anúncio de cancelamento do contrato. Ricardo Nunes, no entanto, estabeleceu a construção do túnel na Meta 40 do Programa de Metas para esta gestão, já tendo anunciado uma nova licitação antes mesmo da desmobilização do canteiro atual. Nós, que não detemos poder econômico sobre a política, só temos a organização como forma de resistência.

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Concessão do Lote ABC Guarulhos: COMMU encaminha sugestões

A seguir, você confere as 17 sugestões encaminhadas por meio do modelo cretino de planilha disponibilizado na página do Lote ABC Guarulhos no site da SPI (Secretaria de Parceria sem Investimentos; grafia deliberadamente incorreta). O Lote ABC Guarulhos envolve a existente Linha 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra, com previsão de expansão como Bom Retiro-Rio Grande da Serra) e a inexistente Linha 14-Ônix (Bonsucesso-Jardim Sorocaba, com previsão de expansão como Bonsucesso-Jardim Irene).

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Amizade ou vassalagem?

Em sua recente visita ao Alto Tietê, o atual governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixou clara a chantagem que se tornou regra em seu mandato: para ele, a discussão dos pedágios em rodovias que passam por solo mogiano não só está superada, mas faz parte de um modelo inevitável. O governador bolsonarista considera que o pedágio é um pilar inegociável da concessão almejada, que, por sua vez, é a única maneira de viabilizar a retirada de recursos do erário.

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Pesquisa Origem e Destino 2023: comentários preliminares

Introdução Este artigo está saindo com quase uma semana de atraso, mas considerando o comportamento infantilizado e baseado numa reatividade de extremo curto-prazo, quero frisar, desde já, que os resultados da última Pesquisa Origem e Destino são bastante preocupantes. Não consigo expressar quão preocupantes são, considerando principalmente a trajetória crítica que desempenho no Coletivo, os apontamentos presentes no relatório da pesquisa. A Pesquisa Origem e Destino é uma das mais tradicionais e completas em matéria de mobilidade, sendo um insumo relevante para o planejamento da operação e da expansão da rede metropolitana de transporte e, possivelmente, de alguns sistemas de caráter estritamente municipal que se entrelaçam com a rede sob responsabilidade do governo do estado.

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Concessão de mais duas linhas da CPTM levanta preocupações

A futura Linha 14-Ônix da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) terá impressionantes 32 km (10 km a mais do que a Linha 3-Vermelha, que parte das estações Palmeiras·Barra Funda e Corinthians·Itaquera) e tem motivado preocupações quanto a seu desempenho e capacidade: a adoção de bitola internacional e a opção por trens mais leves, cujos detalhes nunca foram verdadeiramente revelados ao público, se traduzem em perda de capacidade potencial e impossibilidade de interoperabilidade com a Linha 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra, futuramente Bom Retiro-Rio Grande da Serra), que também será concedida em conjunto com a 14-Ônix — projeto conhecido como Lote ABC Guarulhos.

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Predinhos: egoísmo urbano “do bem” em reedição do Brooklin à Vila Madalena

Motivação Os chamados “predinhos” se transformaram numa espécie de “produto validado” para progressistas endinheirados que buscam localização estratégica, como bairros centrais com boa oferta de empregos e amenidades, com forte diferenciação em relação às classes médias e altas. O desejo (ainda que velado) de exclusividade e filtragem socioeconômica robusta é ofuscado pela tentativa de convencimento (próprio ou auxiliado pelo mercado) de que tudo não passa da busca por uma relação charmosa entre pessoas e cidade, uma versão de aço e concreto da “gastronomia afetiva” que superfatura cafés e torradas no “bairro nobre” mais próximo de você.

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Sim, adensa e deixa congestionar

Prólogo Este artigo é produto de uma série de comentários elaborados em abril de 2024, envolvendo uma verdadeira “salada” de assuntos interconectados. Seu subúrbio não é especial Sobre a privatização do trecho mais conflituoso da rodovia Raposo Tavares (entre São Paulo e Cotia), com previsão de alargamento, desapropriações e cobrança de pedágio, é preciso coragem para afirmar: quem se opõe também contribuiu para semear o projeto que se aproxima. Quando o problema estava fora dos bairros afetados pela concessão, estava tudo bem.

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Com extinção da CPTM no horizonte, ainda há o que dizer?

Em meio à privatização da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), tenho me perguntado se há muito mais o que cobrir criticamente para o Coletivo. À medida que os contratos de concessão são celebrados, temos uma noção mais ou menos clara em torno dos investimentos futuros. Como já apontado por mim no âmbito deste Coletivo, o histórico sugere uma redução nos investimentos: média irrisória de R$/ano e ausência de grandes obras de infraestrutura, mesmo algumas intuitivamente necessárias, como a expansão da Linha 13-Jade (Eng.

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Privatização do Trem Metropolitano avança em meio ao silêncio de petistas e intelectuais

Quando falamos sobre os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, em processo de desestatização), normalmente, é razoável assumirmos que as composições serão associadas à imagem de superlotação. Os trens, repletos de indivíduos oriundos das mais diversas periferias, há muito, espelham territórios deliberadamente tomados como irrelevantes, a despeito de qualquer fator concreto que indique o contrário. Numa angústia furiosa, mais uma vez, disparo palavras no vazio cibernético da Internet, denunciando que o Trem Metropolitano, com as inúmeras contradições que permeiam seu processo de recapacitação de mais de meio século, nunca carregou ou foi alvo de tanta hipocrisia.

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Os fragmentos de uma estatal em extinção

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) nasceu originalmente com a missão de maquiar a precariedade das linhas e entregá-las à iniciativa privada. O plano era ridículo, mas deixou bons frutos com o Integração Centro, responsável por transformar as estações Luz e Brás, além de promover outras intervenções menos visíveis. Legenda: Diagrama da rede de transporte metropolitano com o Integração Centro. Fonte: captura mais recente da Wayback Machine para quadro no site oficial do consórcio formado por Enger Engenharia e PCI, 30 de janeiro de 2005.

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Exaltado, Ricardo Nunes defende complexo viário de concepção anacrônica

Com documentos em mãos, o mandatário do Executivo paulistano, reeleito em chapa encabeçada pelo fisiológico MDB (Movimento Democrático Brasileiro), insiste que inaugurará complexo viário que contará com dois túneis na região da Avenida Sena Madureira, na Vila Mariana. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Ricardo Nunes (@prefeitoricardonunes) Legenda: Vídeo publicado na conta oficial de Ricardo Nunes na rede social Instagram Para ele, o prefeito Ricardo Nunes, a oposição se resume a uma narrativa em torno da criação de impactos ambientais — há quatro dias, reduziu os protestos a um “teatro”.

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