Transporte Sobre Trilhos

Estreia da Trivia nas linhas 11, 12 e 13 está sendo um vexame

Como esperado, a operação da Trivia Trens começou decepcionando: no primeiro dia, a operação estava degradada no Brás em pleno horário de pico, enquanto no segundo dia, relatos nas redes sugeriam estratégias agressivas de contenção de fluxo na Estação Jardim Romano, aparentemente por uma falha nos validadores, também observada na Estação Poá. Foram flagrados mapas com erros grotescos (aqui e aqui). Legenda: Diagrama das linhas e estações envolvidas na concessão, conforme página da agência reguladora em julho de 2026, contendo alguns erros, como: (i) a omissão das integrações com outras linhas em Palmeiras·Barra Funda; (ii) a integração entre as linhas 11 e 12 na Estação Calmon Viana, que consta como inexistente na Linha 12; e (iii) a presença das estações Cangaíba e União de Vila Nova, como se já estivessem concluídas e operacionais, quando ainda não passam de promessas Saliento que o diretor da Trivia, Cláudio Andrade, trabalhou por mais de 25 anos na Motiva (antigo Grupo CCR), com uma passagem de quase 7 anos pela ViaQuatro e mais de 4 anos em sistemas no Rio de Janeiro e na Bahia. Ninguém tem a obrigação de massageá-lo.

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Operando apenas uma linha, CPTM agora respira por aparelhos

Hoje é um dia profundamente triste, mas que, principalmente desde 2022, eu sabia que viria, cedo ou tarde. Fundei o Coletivo em 2014. Mais de uma década depois, a situação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) me deixa profundamente triste. É uma sensação de luto que não sei descrever. Sinto que joguei 10 anos da minha vida fora. Por causa da CPTM… Apostei numa graduação voltada ao planejamento do território, para descobrir depois que não garante emprego decente; Perdi a fé no ativismo, afinal, é só mais um trabalho precário, com resultados precários; Perdi tempo inestimável com mandatos que não passam de blogueiros oportunistas. Eu entendi ou, talvez, ainda tento entender, que a CPTM importa pouco.

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Trens não operam no vácuo e merecem mais conversas adultas

Acredito que problematizar o uso e ocupação do solo é indispensável para que a sociedade rompa com discursos eleitoreiros e oportunistas envolvendo o transporte sobre trilhos. A natureza do transporte sobre trilhos pode ser descrita como indelével e impactante, ou seja, dependente de obras caras, demoradas, que causam grandes incômodos e transformam a paisagem de uma maneira praticamente irreversível. A natureza do transporte sobre trilhos, entretanto, não torna a malha homogênea. A distribuição dos trilhos pelo espaço não se traduz numa mesma capacidade de acesso ou numa mesma conectividade. Não se traduz, nem mesmo, numa mesma qualidade urbanística das cercanias (ou seja, das imediações das linhas) ou de uma taxa de atividade similar (relação entre pessoas residentes e empregos gerados localmente).

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A rede invisível

Introdução Em 22 de maio, detectei que um trabalho potencialmente interessante apareceu no Teses USP, mas, ao folheá-lo, fiquei com a impressão de que ele falhou na interpretação da malha. A seguir, quero discutir o que pode ser considerado um conjunto de impressões preliminares e, ao mesmo tempo, parte de uma leitura que talvez não volte a ser retomada. Não prometo uma segunda ou terceira parte sobre o trabalho que abordo a partir deste ponto.

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Do deserto à baía do silício, urbanização difusa e renda concentrada cobram seu preço

Prólogo Dois sistemas ferroviários modestos nos Estados Unidos (um no deserto do Novo México, outro às margens da Baía de São Francisco) servem de ponto de partida para uma discussão que, no fundo, também pode ser sobre São Paulo. Em 2022, Ray Delahanty produziu um panorama em vídeo sobre sistemas ferroviários estadunidenses, entre os quais dois que o COMMU discutiu internamente sem nunca publicar a respeito. Em 2026, um vídeo mais aprofundado sobre um deles revelou algo mais incômodo: a relação direta entre proteção patrimonial, política tributária e expulsão habitacional.

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Falha na Linha 11 expõe o vazio institucional que antecede as novas concessões

Falhas na Linha 11-Coral (Palmeiras·Barra Funda-Estudantes) são velha conhecida da população que depende da principal ligação entre a região central da capital paulista e uma série de municípios do Alto Tietê. A falha que teve início em 25 de novembro, persistindo ao longo do dia seguinte, porém, merece algumas reflexões adicionais. Em virtude do programa de desestatização do governo paulista, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), responsável pela linha ainda sob a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, passa por fuga de cérebros e de mão de obra, seja pelas ofertas de vagas das novas operadoras privadas, seja pelo programa de demissão que incentiva a saída de quadros. É sabido que mais de quatro mil indivíduos poderiam ser elegíveis para o programa, porém a participação, que poderia ocorrer até maio deste ano, permanece desconhecida publicamente.

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É claro que o Serviço 710 foi para o vinagre! Pelo fim da amnésia eleitoral

A princípio, estava relutante em escrever sobre o melancólico fim do Serviço 710, responsável por oferecer uma operação unificada das linhas 7-Rubi (na altura, Jundiaí-Francisco Morato-Brás) e 10-Turquesa (então, Brás-Rio Grande da Serra). Relutei não por não achar relevante, mas por achar cansativo. Legenda: Detalhe de diagrama do Serviço 710 na plataforma com destino a Francisco Morato/Jundiaí, na Estação Tamanduateí. Retrato do passado. Fotografia de outubro de 2024 Não há novidade em mais um ataque contra a população usuária, que tem seu bem-estar refém de arranjos privatizantes que unem os governos estadual e federal. Aliás, não há, nem mesmo, solidariedade. Como boa parte das causas ligadas à maioria do povo, o Serviço 710 passou em branco. Foi ignorado, marginalizado, trivializado.

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Criatividade defensiva: como a mobilidade marginalizada me fez um escritor melhor

Se você me vir xingando a 574J-10, já sabe: a disciplina de Bases Matemáticas voltou à minha rotina universitária. E, junto dela, voltou também o roteiro tragicômico que une a Vila Formosa, na Zona Leste paulistana, à avenida Kennedy, em São Bernardo do Campo, costurado por linhas que não se encontram, corredores que nem sempre existem e escolhas de transporte dignas de um teste de resistência. Legenda: Avenida Kennedy às 22h47 de 10 de março de 2025: ciclovia/pista de caminhada se destaca e oferece “tapete vermelho” em meio à arborização (à direita, está o Parque Raphael Lazzuri) Sim, voltarei a cursar a disciplina que persiste como um karma do meu ciclo acadêmico — e, como não poderia deixar de ser, isso envolve voltar a atravessar a metrópole de leste a sudeste com a leveza de um saco de cimento.

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As marginais de São Paulo e a negação da cidade

A Marginal Tietê não é somente uma rodovia. É uma sentença. Um rio de veículos ladeando um rio morto. Um dos piores cartões de visita urbanos do mundo — e, ainda assim, aceito. Aceito como destino, como funcionalidade, como cicatriz convertida em moldura. Entre o barulho incessante, o cheiro de diesel e a paisagem de galpões e concreto, o paulistano passa e repassa, todos os dias, pela prova viva de que sua cidade parece ter desistido. Não falta quem diga que exageramos ao falar em beijo da morte com o carro, entretanto, a imagem que se descortina é, no mínimo, apropriada: toda segunda-feira é um retrato em movimento do colapso que se tornou normal (em abril, São Paulo chegou a ter quase 1.300 km de congestionamento num único dia).

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Mobilidade sem solidariedade: quando a disputa entre oprimidos fortalece a hegemonia

O que vemos nos chamados "debates sobre mobilidade urbana" promovidos por veículos de imprensa hegemônicos é, frequentemente, um simulacro de debate. As mesas redondas reúnem representantes de empresas interessadas na expansão de seus negócios, membros do poder público alinhados com as diretrizes de concessão e privatização, e uma ou outra figura da sociedade civil cuidadosamente escolhida para não romper o tom protocolar. Um bom exemplo foi o último Summit Mobilidade do Estadão, onde temas como mototáxi e concessões metroferroviárias foram tratados com representantes da 99 e da Linha 6 do Metrô. Justamente atores que se beneficiam diretamente da pauta em discussão. A crítica estrutural, previsivelmente, não aparece, pois não é conveniente aos negócios.

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