Cidade Jardim

As marginais de São Paulo e a negação da cidade

A Marginal Tietê não é somente uma rodovia. É uma sentença. Um rio de veículos ladeando um rio morto. Um dos piores cartões de visita urbanos do mundo — e, ainda assim, aceito. Aceito como destino, como funcionalidade, como cicatriz convertida em moldura. Entre o barulho incessante, o cheiro de diesel e a paisagem de galpões e concreto, o paulistano passa e repassa, todos os dias, pela prova viva de que sua cidade parece ter desistido. Não falta quem diga que exageramos ao falar em beijo da morte com o carro, entretanto, a imagem que se descortina é, no mínimo, apropriada: toda segunda-feira é um retrato em movimento do colapso que se tornou normal (em abril, São Paulo chegou a ter quase 1.300 km de congestionamento num único dia).

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