Labcidade

Habitação: discursos hegemônicos são pouco relevantes

Discursos de milhões Provavelmente, vou me repetir, mas a discussão envolvendo cidades e meios de transporte é extremamente ingrata: quem mais precisa participar dela está ausente, tentando sobreviver; quem pode participar, infelizmente, impõe uma série de custos e barreiras que não contribuem para incluir quem está alijado. Toda vez que embarcamos em ou facilitamos discursos que ignoram a informalidade que transforma a paisagem das nossas cidades ou que distorcem dinâmicas de mercado com moralismo seletivo, abafando o preço na base do grito, estamos contribuindo para uma série de derrotas que afetam as maiorias. E é nas maiorias que encontramos as pessoas com as maiores dificuldades para morar e acessar emprego e renda.

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Cinismo, hipocrisia e habitação social

Problema como solução de outro problema Uma questão recente que muito deveria incomodar diz respeito às fraudes com habitação social. Este, ao contrário do que pode parecer de imediato, principalmente quando comparado a outras questões nas quais o Coletivo se debruça, como concessões que reduzem a qualidade dos serviços e regiões metropolitanas que não funcionam pelo excesso de municipalismo e ausência de mecanismos de governança, é um problema excelente. Por que é excelente? É excelente devido à materialidade: as unidades foram construídas. Num contexto em que um dos principais nomes da arquitetura e do urbanismo da USP (Universidade de São Paulo) não teve vergonha de dizer que “todo mundo quer poder morar numa casa, ou num bairro que tenha uma verticalização não tão grande”, há que se questionar o tipo de política pública que os nomes ligados ao LabCidade são capazes de produzir, principalmente quando romantizam favelas e são levemente antagonizados por um de seus colegas, ou quando já afirmaram num encontro em maio de 2025 que…

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Intelectuais incorporam discurso contra verticalização e prejudicam debate

“Todo mundo quer poder morar numa casa, ou num bairro que tenha uma verticalização não tão grande”, assim começa a fala de Paula Santoro, uma das representantes da intelectualidade da Universidade de São Paulo (USP). Legenda: Publicação do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP no Twitter, destacando as falas questionáveis que surgiram durante uma entrevista à CBN Santoro justifica que a verticalização, supostamente descontrolada e assustadora, atingiu “anéis intermediários” da cidade de São Paulo, prejudicando “modos de vida”. Sua posição é bastante clara: a revisão do Plano Diretor Estratégico não pode ampliar a verticalização, sob pena de transformar o tecido de forma radical, irreversível e indesejável.

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