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Com voos mais caros e ausência de trens, ônibus de luxo ganham mercado

Contextualização Em novembro, O Estado de S. Paulo publicou reportagem intitulada “Viagens de ônibus ganham luxos de 1ª classe, com sala vip, poltrona massageadora e TV; conheça”, que ao ser levada por mim para apreciação no grupo do COMMU no Telegram, resultou em uma discussão interessante, protagonizada principalmente por mim e pelo Tiago de Thuin. Inicialmente, percebi que as partidas da Levare em São Paulo parecem utilizar um artifício eufemisticamente chamado de “sala VIP”, de forma a contornar o verdadeiro ponto de partida das rotas: Guarulhos, segunda maior cidade da RMSP (Região Metropolitana de São Paulo), cuja rodoviária tem ares desérticos, a despeito de possuir um terminal urbano integrado e um calçadão conectado à Linha 13-Jade (Eng. Goulart-Aeroporto·Guarulhos) da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

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Doria e o enxugamento do estado

Legenda: Assentamento precário nas cercanias da Linha 7-Rubi (Luz-Francisco Morato-Jundiaí) em Francisco Morato (coordenadas -23.265944, -46.751306) João Doria insiste na narrativa de um estado minimizado, incapaz de realizar investimentos de vulto e direcionar de maneira qualificada e estruturante o crescimento e manutenção dos tecidos urbanos da Região Metropolitana de São Paulo. O governador pode agradar a uma parcela do eleitorado ao defender a lobotomia do aparato estatal, mas, na prática, as reações do eleitorado nem sempre são compatíveis com sua adesão ao discurso. É fácil vociferar contra o estado munido de argumentos frágeis, mas é muito mais difícil combater o produto destes argumentos: desamparo social, deseconomias em escala, perda de eficiência na burocracia e redução da capacidade de gestão e planejamento. A defesa da ideia de um estado mínimo é recorrente na política do estado de São Paulo. O Diário de Mogi, jornal sediado em Mogi das Cruzes, recentemente cedeu espaço para que Dirceu Cardoso Gonçalves da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares) defendesse uma noção deturpada da Constituição Federal de 1988. Segundo ele, o estado deveria ser responsável apenas por segurança pública, educação e saúde, pois a Constituição assim exige. Nada mais falso, já que temas como habitação e salário dignos, por exemplo, também estão amparados pela Constituição e leis complementares que já estavam previstas desde 1988 e foram sendo promulgadas nas décadas seguintes.

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