Rino Levi

Luxo decadente e a despolitização na preservação de símbolos de uma burguesia em ruínas

Introdução Ao me deparar com discussões como a do episódio “Pioneiro e Solitário”, do canal São Paulo nas Alturas, de Raul Juste Lores, sempre termino achando que tem faltado um direcionamento de esforços mais cuidadoso nas fileiras do campo progressista, que tem se colocado como aliado de um punhado de famílias com musculatura financeira suficiente para morar nos bairros mais nobres do Centro Expandido. Legenda: Vídeo do canal São Paulo nas Alturas, traça comparações entre dois edifícios pioneiros, em São Paulo e Nova Iorque, para discutir questões ligadas ao Centro e ao Parque Dom Pedro II. Clique aqui para acessar o vídeo no YouTube Tais famílias, organizadas em associações de moradores, buscam recorrentemente pretextos para preservar privilégios, o que se traduz, majoritariamente, em impedir transformações na paisagem, como aquelas que aumentam a oferta de unidades a partir de construções novas e mais verticais. Vídeos que tratam de áreas antigas da cidade são excelentes para reflexões sobre como a realidade, transportada para argumentos e narrativas nem sempre honestas, pode sofrer distorções para filtrar quem pode enriquecer e a partir de quais práticas de consumo e acumulação. Assim, mais do que preocupações com as prioridades do campo progressista, tento combater uma certa ingenuidade na discussão da cidade a partir da arquitetura dos edifícios.

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São Paulo é refém de preservacionismos com critérios duvidosos

Sobre a recente demolição do edifício da Cultura Inglesa que funcionava na rua Deputado Lacerda Franco, classificado no Instagram como “icônico” e “de valor histórico” por Nabil Bonduki (PT), queremos aproveitar para reeditar alguns comentários na forma de um artigo, para que nosso latim não seja enterrado no submundo das redes pegajosas de Mark Zuckerberg. De partida, há que se compreender que as pessoas (frequentadoras e, sobretudo, moradoras) do bairro ou da vizinhança mais imediata, correspondem a uma pequena fração da cidade, não podendo ser descartada a possibilidade de protagonismo nas opressões em escala metropolitana que estão ligadas com a preservação de tecidos (ou seja, fragmentos do espaço que humanos transformam para viver) repletos de edifícios de baixo gabarito (ou seja, de pouca altura) e baixa densidade (ou seja, que abrigam poucos habitantes). Pinheiros é apenas um bairro.

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