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As cortinas transparentes do teatro da teimosia

Na semana que se passou, tivemos dois pequenos dramas de classe média no microscópico círculo que mescla urbanismo, política e cinismo — um círculo onde o comportamento NIMBY (Not In My Backyard) encontra abrigo em vocabulário progressista: moradores que se opõem a projetos de adensamento em suas vizinhanças, mesmo reconhecendo a necessidade deles em outros locais. Primeiro, Nabil Bonduki continuou sua epopeia em torno das esvaziadas galerias comerciais da rua Augusta; segundo, uma série de figuras, incluindo nomes como Miguel Falabella e a revista Veja São Paulo, choraram por um teatro que não havia sido demolido, com base numa dramatização renderizada com auxílio de inteligência artificial.

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Esquerda vive dilemas com símbolos das elites passadas

O texto sobre o Edifício Guarany, ao mencionar a obra de Di Cavalcanti no Edifício Triângulo, abre uma brecha para uma discussão mais objetiva em torno da contradição entre preservação e acúmulo de capital cristalizado no passado. Tomemos, mais uma vez, a seguinte publicação do vereador paulistano Nabil Bonduki (PT): Legenda: Apelo em torno do restauro de obra de arte no Edifício Triângulo, projetado por Oscar Niemeyer. Clique aqui ou na imagem para acessar a publicação no Instagram do vereador Nabil Bonduki (PT) Começo com uma provocação: quando o edifício foi erguido, num momento distinto da acumulação de capital no local, e do qual ele é produto direto, pois representa uma forma de cristalização dessa acumulação, o poder público pagou pelos mosaicos?

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Luxo decadente e a despolitização na preservação de símbolos de uma burguesia em ruínas

Introdução Ao me deparar com discussões como a do episódio “Pioneiro e Solitário”, do canal São Paulo nas Alturas, de Raul Juste Lores, sempre termino achando que tem faltado um direcionamento de esforços mais cuidadoso nas fileiras do campo progressista, que tem se colocado como aliado de um punhado de famílias com musculatura financeira suficiente para morar nos bairros mais nobres do Centro Expandido. Legenda: Vídeo do canal São Paulo nas Alturas, traça comparações entre dois edifícios pioneiros, em São Paulo e Nova Iorque, para discutir questões ligadas ao Centro e ao Parque Dom Pedro II. Clique aqui para acessar o vídeo no YouTube Tais famílias, organizadas em associações de moradores, buscam recorrentemente pretextos para preservar privilégios, o que se traduz, majoritariamente, em impedir transformações na paisagem, como aquelas que aumentam a oferta de unidades a partir de construções novas e mais verticais. Vídeos que tratam de áreas antigas da cidade são excelentes para reflexões sobre como a realidade, transportada para argumentos e narrativas nem sempre honestas, pode sofrer distorções para filtrar quem pode enriquecer e a partir de quais práticas de consumo e acumulação. Assim, mais do que preocupações com as prioridades do campo progressista, tento combater uma certa ingenuidade na discussão da cidade a partir da arquitetura dos edifícios.

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Mentir falando a verdade: Dirley Terracasa e a rua Francisco Aquarone

Em uma recente entrega algorítmica do Instagram, pude apreciar mais um exemplo de apelo problemático em torno da preservação de conjuntos de casas em áreas centrais extremamente bem servidas de infraestrutura. Confesso que o caso não é dos piores, como perfeitamente sintetizou Tiago de Thuin ao apreciar meu compartilhamento em nosso grupo no Telegram: “essa rua merece mais tombamento do que a média que a gente vê por aqui, mas ainda não merece”.

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Má arquitetura não se combate vetando prédios

Prólogo Em 9 de agosto, nosso membro Wesley Café Calazans comentou sobre como o discurso radicalmente contra prédios parece ser alimentado pela ausência de boa arquitetura em muito do que é produzido na capital paulista. A partir daí, verborrágico como sou, teci uma série de comentários, boa parte dos quais foram utilizados para construir este artigo. Escassez e hipocrisia Estou certo de que a má arquitetura contribui para o rechaço à verticalização, entretanto, suspeito ser mais fácil se aproveitar do problema, afinal, ele é um excelente pretexto para querer mandar “os amiguinhos” para longe, afinal, exigir boa arquitetura ainda pressupõe demolir casas.

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Lote Nova Raposo motiva busca por metrô milagroso

Recentemente, o governo estadual anunciou a continuidade do Lote Nova Raposo, um dos vários pacotes do programa de desestatização de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Este desdobramento do Executivo paulista não necessariamente suscita uma derrota para o movimento Nova Raposo Não, que envolve diferentes organizações, algumas delas problematicamente reacionárias, como o Movimento Defenda São Paulo, e já angariou mais de 19 mil assinaturas contra o Lote. Na verdade, a ideia deste artigo é, mais uma vez, retomar a problematização em torno da reivindicação por transporte sobre trilhos, reiterada em reportagem recente do jornal SP2 da TV Globo.

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Oposição à concessão da Raposo Tavares: metrô não é bala de prata

Este artigo é uma espécie de resposta ao texto “A nova Raposo Tavares e o velho urbanismo”, publicado na coluna de Mauro Calliari no jornal Folha de São Paulo. A questão da rodovia Raposo Tavares, um dos assuntos do momento em virtude do Lote Nova Raposo do Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP) possui várias camadas e, infelizmente, dá sinais de que nossos intelectuais não estão preparados para o monstro que vai surgir no espelho.

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Subterfúgios e ausência de soluções críveis esvaziam críticas ao adensamento de Pinheiros

Artigo adaptado a partir de uma resposta ao Pró-Pinheiros no Instagram. Considerando que estamos em um ambiente urbano metropolitano, qualquer movimentação tem causa/efeito em toda a sua estrutura. O Pró-Pinheiros, assim como a comunidade do Pacaembu, é uma coalizão de agentes com seus próprios interesses, e o cerne dos interesses dos agentes que formam o Pró-Pinheiros é evitar o adensamento da região. O Pacaembu, assim como Pinheiros, possui poder econômico, tempo (que se configura como organização) e influência política. No entanto, acredito que a influência política do Pacaembu é muito maior do que a de Pinheiros, construída ao longo de muitos anos. Isso é evidenciado pelo fato de que nem uma padaria consegue se estabelecer naquela região. Certamente, é a elite do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro que reside lá. Tendo isso em vista, uma vez que a região na qual o Pró-Pinheiros se propõe a incidir está sendo adensada e seus agentes não estão conseguindo impedir isso, subterfúgios são utilizados para justificar os seus interesses fundamentais, os quais são:

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Jornal da Gazeta desinforma ao discutir verticalização a partir de Pinheiros

Introdução O Jornal da Gazeta veiculou em 29 de março, sexta-feira, uma problemática reportagem. Mais uma vez, as críticas em torno da verticalização aparecem em tom raso e egoísta, oferecendo verniz de relevância a opiniões e emoções sem o devido amparo técnico. Legenda: Reportagem “Demolição de bar histórico reacende discussão sobre a verticalização em São Paulo”, publicada no canal do Jornal da Gazeta no YouTube Contando com o previsível protagonismo do Pró-Pinheiros, que reúne diferentes associações de bairros ricos e urbanisticamente reacionários do Centro Expandido paulistano, a reportagem esgarça em seu título a importância de um boteco de gosto duvidoso. O resultado é uma tentativa frustrada de projetá-lo sobre toda a capital paulista, o que nem de longe é demonstrado em pouco menos de cinco minutos de material.

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Pró-Pinheiros rejeita ampliar diálogo e bloqueia COMMU no Instagram

Merecemos respeito Nós tentamos, mas o Pró-Pinheiros, uma das organizações na linha de frente pela manutenção de características insustentáveis e segregacionistas dos bairros do Centro Expandido, afirmou que nossa insistência é uma demonstração de grosseria, calcada numa tentativa de “disputa de conhecimento por rede social”. A declaração ocorreu por comentário no Instagram, quando reagimos aos risos do Pró-Pinheiros em relação a outra interlocutora, que disse nossos argumentos eram incompreensíveis.

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