São Paulo

Estrangeiros no próprio país

Em primeiro lugar, não, não quero falar aqui sobre uma região de 20 milhões nas quais ninguém precisa gastar horas e horas se deslocando, não por desmerecer aqueles que acreditam em algo assim, mas por entender que a missão do Coletivo é lutar por um melhor transporte coletivo, que por sua vez, representa os alicerces para uma cidade mais humana e racional, na qual o transporte coletivo é uma ferramenta de acesso que não deixa cicatrizes, na qual o transporte coletivo não é um triste espelho de realidades e dilemas que são, em muito, fruto de uma cidade voltada para o automóvel e na qual as áreas com melhor infraestrutura de transporte possuem um valor de m² pornográfico.

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Prata da casa

Construção rápida, melhor inserção no tecido urbano e menor custo de implantação. Estas foram algumas das promessas em relação ao novo modal de transporte apresentado em meados de 2009 pelo então governador do estado de São Paulo, José Serra (PSDB), em parceria com o então prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD). O projeto do monotrilho foi apresentado tanto como alternativa ao então corredor de ônibus Expresso Tiradentes, proposta original para o eixo mas que supostamente não daria conta da alta demanda da região, como também foi vendida como uma forma mais rápida de levar o Metrô aos bairros mais distantes e necessitados de transporte. A até então extensão da Linha 2-Verde (atualmente Vila Madalena-Vila Prudente) até Cidade Tiradentes, como era chamado inicialmente o projeto, hoje já com parte da linha funcionando e integrada à rede, é denominada Linha 15-Prata.

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Eles não desistem!

E saiu mais um editorial pra lá de questionável do Estadão, que faz uso de argumentos baseados numa necessidade de rigorosos estudos de demanda e impacto de vizinhança para justificar a expansão cicloviária (dando a entender que absolutamente nada existe, o que não é bem verdade). Novamente, não ficaremos calados! A verdade é uma só: o Estadão é, historicamente, conivente e negligente na cobertura das questões do transporte coletivo em toda a metrópole, de Francisco Morato a Mogi das Cruzes, de Itapevi a Rio Grande da Serra, passando pelas regiões mais nobres ou mais estigmatizadas da capital paulista, o periódico sempre mediu esforços, tendo uma equipe minúscula (principalmente nos dias atuais) e, não seria exagero dizer, nada incentivada a pautar com seriedade e abrangência o transporte metroferroviário e o incentivo irresponsável ao automóvel (que não é restrito ao IPI, como alguns tentam mostrar, criticando seletivamente parte do Estado Brasileiro). Como esperar uma cobertura razoável de questões ligadas às bicicletas, não é mesmo? Finalmente, o mesmo tabloide não envida esforços similares na cobertura de questões ligadas ao automóvel ou à matriz logística rodoviária, sendo pouco crítico com relação ao uso indiscriminado do carro, à baixa segurança dos carros populares, à poluição atmosférica, à má ocupação do solo urbano e à ausência de opções às rodovias para deslocamentos de cunho regional (como uma simples ida ao litoral, feita por pessoas das mais variadas classes pelo menos uma vez por ano).

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Vá além do Centro Expandido de São Paulo

Introdução Quando falamos de mobilidade urbana, a palavra “descentralização” surge com grande facilidade, é muito comum desejar e encontrar pessoas desejando maneiras de reduzir seus deslocamentos e depender menos do transporte coletivo para o dia-a-dia, algo assim, teoricamente, aumenta o tempo livre e aumenta a liberdade para viver a cidade e ter uma vida mais saudável. Eu tenho notado que existe, porém, um comportamento muito interessante: um morador do Centro Expandido, com bom nível de consciência política e não raramente já desfrutando de maior tempo livre devido à dinâmica da região, que concentra não só muitos postos diversos (ou seja, com diferentes níveis de qualificação) de trabalho, mas uma imensidão de equipamentos públicos e privados, defendendo a tal “descentralização”, porém, se o mesmo morador não sai do Centro Expandido e pré-concebe uma imagem do restante do município de São Paulo e também dos outros municípios que compõem a Região Metropolitana de São Paulo (também chamada de Grande São Paulo), passa a existir, portanto, uma incoerência.

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As contrariedades na discussão de uma São Paulo policêntrica

Introdução Imagine viver numa região com 20 milhões de pessoas e ouvir discursos, geralmente proferidos por alguns moradores da capital, de que São Paulo precisa se descentralizar, numa noção reducionista, na qual há uma relação de dependência completa, como se pudéssemos separar todo um complexo e diverso território em duas metades: na primeira, a mancha formada pela Avenida Paulista, a região de Pinheiros e mais alguns lugares ao longo da Marginal Pinheiros, já na segunda metade, você tem todo o resto, tudo no mesmo balaio, da mais paupérrima periferia aos subúrbios mais ricos, com sedes de grandes empresas, tudo classificado e vitimizado como “o resto”.

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Ministério Público, por qual São Paulo você luta?

Na data de hoje, 02/10/2015, soubemos que o MP decidiu rejeitar o resultado da audiência pública feita na Avenida Paulista para discutir mudanças no seu funcionamento aos domingos, as quais incluem a interrupção do tráfego de automóveis (com exceções para moradores e veículos de serviço e resgate) permitindo que a população possa desfrutar da avenida como um bulevar, além disso, também ignorou pesquisas recentes: Ampla maioria dos comerciantes da Paulista apoia avenida aberta a pedestres aos domingos (Rede Nossa São Paulo); “Abre-te Paulista: uma avenida aberta para pessoas” (Cidadeapé); Pesquisa revela avaliação dos paulistanos sobre trânsito, transporte público e poluição (Rede Nossa São Paulo). Afinal, qual São Paulo o Ministério Público está defendendo? Em pesquisa recente, apenas 13% das pessoas em São Paulo informaram que não deixariam de usar o carro se houvesse um transporte coletivo percebido como sendo de qualidade. Ainda em 2013, mais de 90% dos paulistanos aprovava o aumento das faixas exclusivas (hoje mais de 400 km em toda a cidade). Também sabemos desde 2012 que o carro transporta menos de um terço dos paulistanos, aliás, neste último link, citamos o seguinte parágrafo:

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Como atuamos?

Prólogo Pretendemos aqui esclarecer como o COMMU, Coletivo Metropolitano de Mobilidade Urbana, atua e/ou pretende atuar para se somar a todos as pessoas que lutam por cidades mais democráticas, mais verdes, mais voltadas às pessoas, onde os deslocamentos sejam agradáveis. Objetivos e Princípios Aqui você confere nossos objetivos e princípios na luta por uma melhor mobilidade urbana na metrópole de São Paulo. Priorizar o transporte coletivo em detrimento do transporte individual motorizado A priorização do transporte coletivo significa desenvolver ações que busquem colocá-lo no topo da lista de prioridades do poder público em termos de mobilidade urbana.

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Metrô: uma década dos mesmos argumentos para justificar a lotação e atrasos

Introdução Os textos da Folha que serão criticados a seguir foram publicados em 30/05/2015, sendo assinados pelo mesmo autor. Observa-se neles a insistência numa visão provinciana dos serviços do Metrô, como se São Paulo fosse uma espécie de ilha, não possuindo qualquer configuração metropolitana e, para piorar, também houve um baixo teor crítico em vista dos desafios que a população enfrenta, tornando tudo incrivelmente conveniente ao governo estadual, inclusive pelo esquecimento da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) — parece ser uma especialidade da Folha — , que há anos se encontra integrada à malha do Metrô e passa por um processo controverso de conversão para um serviço de metrô, ainda que de caráter mais suburbano em vista do tamanho de suas linhas, por fim, houve a utilização desonesta de uma pesquisa.

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Querem te fazer acreditar que o trânsito de São Paulo nunca vai melhorar

Hoje o programa global SPTV 1ª edição exibiu uma matéria sobre a queda na lentidão do trânsito anunciada pela CET. Segundo os dados da Companhia, no último ano houve 10% menos lentidão ao longo do dia. A explicação dada é que a criação de faixas de ônibus e ciclovias ajudou a desestimular o uso do automóvel e, com isso, diminuíram os congestionamentos. No caso dos ônibus, a melhora é bastante clara — chega a incríveis 317,3% no trecho da ponte do Jaguaré, por exemplo.

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Qual o futuro da Estação Santo Amaro?

Introdução A Estação Santo Amaro da CPTM, inaugurada em 1986, é fruto de um premiado projeto arquitetônico. Quando a então Estação Largo 13 de Maio foi desenhada, não havia uma conexão com outra linha prevista, tampouco havia naquela época uma estrutura de tamanho impacto, sobriedade, modernidade e simbolismo em suas formas e conceitos em toda a Marginal Pinheiros, para não falar em todo o vetor sudoeste da cidade. No total, foram seis prêmios e os croquis estão expostos em Paris (veja mais informações aqui). Outro aspecto interessante é que o emprego de metal acelerou o tempo de construção da estação.

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