Zona Oeste

Quadrilátero de luxo não é “oásis”

O recente caso do Quadrilátero Vilas do Sol, mais uma vez, expõe uma argumentação criativa (para não dizer desonesta) e polarizadora, que pouco contribui para a construção de uma agenda robusta em torno da melhoria da urbanidade das cidades da RMSP (Região Metropolitana de São Paulo). Pelas falas de Nabil Bonduki (PT), vereador eleito na última eleição, a região apresenta um modelo que equilibra a verticalização. Discurso perigoso. Luxo, herdeirismo e hipocrisia. Nabil, você legislará para quem? Lamentavelmente, de novo, encontramos um mandato de um partido de origem operária e metalúrgica se perdendo nos devaneios de herdeiras milionárias e, pior, oferecendo combustível para avaliações distorcidas do espaço. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Nabil Bonduki (@nabil_bonduki)

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Luxo, herdeirismo e hipocrisia. Nabil, você legislará para quem?

Lamentavelmente, de novo, encontramos um mandato de um partido de origem operária e metalúrgica se perdendo nos devaneios de herdeiras milionárias e, pior, oferecendo combustível para avaliações distorcidas do espaço. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Nabil Bonduki (@nabil_bonduki)

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Autonomismo, rebeldia oportunista e escassez de moradia na USP

De partida, é importante salientar que o CRUSP (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo) foi construído em 1963 para os Jogos Pan-americanos, contudo, com o estabelecimento da ditadura nos anos 60, tudo foi fechado, sendo que parte foi demolida, parte virou administração da universidade. Houve uma invasão, revertida depois. Com a redemocratização, os blocos A a G foram fechados e reformados para fins de moradia estudantil, assim, no final dos anos 1980 todo o CRUSP foi oficialmente reinaugurado.

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Predinhos: egoísmo urbano “do bem” em reedição do Brooklin à Vila Madalena

Motivação Os chamados “predinhos” se transformaram numa espécie de “produto validado” para progressistas endinheirados que buscam localização estratégica, como bairros centrais com boa oferta de empregos e amenidades, com forte diferenciação em relação às classes médias e altas. O desejo (ainda que velado) de exclusividade e filtragem socioeconômica robusta é ofuscado pela tentativa de convencimento (próprio ou auxiliado pelo mercado) de que tudo não passa da busca por uma relação charmosa entre pessoas e cidade, uma versão de aço e concreto da “gastronomia afetiva” que superfatura cafés e torradas no “bairro nobre” mais próximo de você.

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Plano Diretor da Cidade Universitária da USP: uma oportunidade a não ser perdida

No último dia 18 de outubro, foi lançado o documento com as propostas consolidadas para o novo Plano Diretor da Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira da Universidade de São Paulo e, ao contrário dos planos anteriores, este plano diretor não está sendo criado dentro da estrutura burocrática da universidade, o elemento participativo está ativamente presente em sua construção, algo muito positivo para uma instituição que ainda tem suas principais instâncias de decisão uma participação pequena da população dos trabalhadores, estudantes e estudantes-moradores do campus. Mas, por outro lado, a USP é sinônimo de vanguarda e modernidade, e esse plano diretor tem a grande possibilidade de ser prova da excelência da universidade transposta para sua própria sede.

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Direito de criticar a preservação das Vilas do Sol deve ser respeitado

Para defender um centro comercial e residencial de luxo, a Gazeta de Pinheiros, mais uma vez, retomou a interpretação ingênua do Plano Diretor Estratégico, reforçando uma noção genérica de “trabalhadores” e “interesses imobiliários”. Em tela, mais uma vez, quem especula com restrições artificiais é tratado como herói, enquanto a produção imobiliária é generalizada como uma casca vazia e de utilidade duvidosa. Legenda: Galeria da viagem ao quadrilátero em abril de 2024. Acessar o local no horário de pico vespertino a partir da Zona Leste é didático: superlotação para os mais pobres que voltam para seus lares, ociosidade no contra-fluxo para os mais ricos. O quadrilátero poderia ocupar tranquilamente o térreo e alguns andares de um ou mais edifícios de uso misto, abrindo espaço para muito mais gente desfrutar do local, mas nossa sociedade continua escolhendo os caminhos mais difíceis para preservar privilégios e irracionalidades. Clicar numa fotografia a abre na galeria com controles de navegação próprios Infelizmente, o desafio de dialogar sobre especulação é que ela, como tenho tentado explicar, é naturalizada. Ninguém compra imóvel esperando depreciação. Ninguém disputa abertamente dizendo: “quero que o preço caia tanto a ponto de ensejar prejuízo a quem comprou na última década”. Enquanto for assim, não é possível atribuir a especulação como uma característica intrínseca de quem constrói, até porque, pouco tem sido feito para capturar a produção formal.

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Má arquitetura não se combate vetando prédios

Prólogo Em 9 de agosto, nosso membro Wesley Café Calazans comentou sobre como o discurso radicalmente contra prédios parece ser alimentado pela ausência de boa arquitetura em muito do que é produzido na capital paulista. A partir daí, verborrágico como sou, teci uma série de comentários, boa parte dos quais foram utilizados para construir este artigo. Escassez e hipocrisia Estou certo de que a má arquitetura contribui para o rechaço à verticalização, entretanto, suspeito ser mais fácil se aproveitar do problema, afinal, ele é um excelente pretexto para querer mandar “os amiguinhos” para longe, afinal, exigir boa arquitetura ainda pressupõe demolir casas.

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Lote Nova Raposo motiva busca por metrô milagroso

Recentemente, o governo estadual anunciou a continuidade do Lote Nova Raposo, um dos vários pacotes do programa de desestatização de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Este desdobramento do Executivo paulista não necessariamente suscita uma derrota para o movimento Nova Raposo Não, que envolve diferentes organizações, algumas delas problematicamente reacionárias, como o Movimento Defenda São Paulo, e já angariou mais de 19 mil assinaturas contra o Lote. Na verdade, a ideia deste artigo é, mais uma vez, retomar a problematização em torno da reivindicação por transporte sobre trilhos, reiterada em reportagem recente do jornal SP2 da TV Globo.

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Oposição à concessão da Raposo Tavares: metrô não é bala de prata

Este artigo é uma espécie de resposta ao texto “A nova Raposo Tavares e o velho urbanismo”, publicado na coluna de Mauro Calliari no jornal Folha de São Paulo. A questão da rodovia Raposo Tavares, um dos assuntos do momento em virtude do Lote Nova Raposo do Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP) possui várias camadas e, infelizmente, dá sinais de que nossos intelectuais não estão preparados para o monstro que vai surgir no espelho.

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Subterfúgios e ausência de soluções críveis esvaziam críticas ao adensamento de Pinheiros

Artigo adaptado a partir de uma resposta ao Pró-Pinheiros no Instagram. Considerando que estamos em um ambiente urbano metropolitano, qualquer movimentação tem causa/efeito em toda a sua estrutura. O Pró-Pinheiros, assim como a comunidade do Pacaembu, é uma coalizão de agentes com seus próprios interesses, e o cerne dos interesses dos agentes que formam o Pró-Pinheiros é evitar o adensamento da região. O Pacaembu, assim como Pinheiros, possui poder econômico, tempo (que se configura como organização) e influência política. No entanto, acredito que a influência política do Pacaembu é muito maior do que a de Pinheiros, construída ao longo de muitos anos. Isso é evidenciado pelo fato de que nem uma padaria consegue se estabelecer naquela região. Certamente, é a elite do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro que reside lá. Tendo isso em vista, uma vez que a região na qual o Pró-Pinheiros se propõe a incidir está sendo adensada e seus agentes não estão conseguindo impedir isso, subterfúgios são utilizados para justificar os seus interesses fundamentais, os quais são:

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