Artigos publicados

Mentir falando a verdade: Dirley Terracasa e a rua Francisco Aquarone

Em uma recente entrega algorítmica do Instagram, pude apreciar mais um exemplo de apelo problemático em torno da preservação de conjuntos de casas em áreas centrais extremamente bem servidas de infraestrutura. Confesso que o caso não é dos piores, como perfeitamente sintetizou Tiago de Thuin ao apreciar meu compartilhamento em nosso grupo no Telegram: “essa rua merece mais tombamento do que a média que a gente vê por aqui, mas ainda não merece”.

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Imobiliarismo ou dupla moral de memória curta?

De partida, fica a impressão de que, para Nestor Tupinambá, todas as dimensões discutidas em seu novíssimo artigo “Rodoviarismos e outros ‘ismos’” são capturadas pelas incorporadoras. Ao citar o tenebroso caso do túnel proposto para a avenida Sena Madureira, por exemplo, insere benefícios imobiliários estranhos. Ora, para adensar a Vila Mariana com empreendimentos verticais já há eixos associados a estações de antigas linhas, incluindo a pioneira 1-Azul (Jabaquara-Tucuruvi). O túnel pouco contribuiria para abrir “espaços para se construírem torres, shoppings e hotéis em zonas nobres da cidade”. Seria apenas uma solução viciada de mobilidade, que tem, sim, o carro como objeto primário, inserido numa lógica de articulação muito mais associada ao sprawl (urbanização difusa) do passado, que mesclou subúrbios verticais e horizontais.

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Esquinas mortas ou indignação seletiva?

Contextualização Nos últimos dias, o corte de uma figueira na Vila Mariana foi assunto em diferentes redes sociais, por diferentes pessoas, incluindo pessoas com ensino superior completo e trajetória acadêmica inegável. Foram várias as manifestações que, embora legítimas, parecem repetir os cacoetes de sempre. Quero, aqui, desafiar a ideia de “morte de uma esquina” presente em diferentes momentos nas últimas semanas. Legenda: Algumas das publicações realizadas em redes sociais. Uma bolha muito bem conectada escolhe sem remorso suas preocupações e a cidade incluída nelas é do tamanho de uma ervilha. Clique na montagem para abri-la e ampliá-la Para começarmos bem, que tal sermos objetivos desde os primeiros parágrafos? O empreendimento The Rose é o responsável pela supressão arbórea e está localizado junto a um importante acesso da Estação Ana Rosa das linhas 1-Azul e 2-Verde do METRÔ (Companhia do Metropolitano de São Paulo), no encontro da rua Domingos de Moraes com a avenida Conselheiro Rodrigues Alves (lado oposto à rua Vergueiro, portanto).

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TJSP erra feio ao liberar mototáxi em São Paulo

O TJSP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) indeferiu a ação civil pública da Prefeitura de São Paulo contra as operadoras de mototáxi pirata que usam intermediação por aplicativos para camuflar a relação trabalhista que têm com seus empregados, a Uber e a 99. O judiciário considerou inconstitucional o Decreto Municipal n.º 62.144/2023, que suspendeu temporariamente no Município de São Paulo a utilização de motocicletas para a prestação do serviço de transporte individual remunerado de passageiros por meio de aplicativos. Na prática, isso permite que as empresas voltem a oferecer o serviço de mototáxi pirata sem nenhuma regulamentação.

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Verônica Bilyk volta a atacar COMMU em audiência sobre quadrilátero elitista

Legenda: Slide exibido durante a transmissão da audiência da Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente no canal da Câmara Municipal de São Paulo. Fica a pergunta: seria inclusivo um quadrilátero com imóveis de 4 a 7 milhões em lotes monofuncionais? Clicar na imagem também reproduz o vídeo no YouTube Embora a mandatária tenha pedido por respeito nos minutos iniciais da audiência, Verônica Bilyk, publicitária e empresária que já foi proprietária de um bistrô polonês em Pinheiros (veja mais aqui, aqui, aqui e aqui) e candidata à Câmara de São Paulo pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) em 2024, reagiu negativamente pouco depois de um comentário inicial nosso no YouTube, contrariando eventualmente as orientações. O Coletivo não se rendeu à baixaria.

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Faraonismo rodoviarista continua drenando recursos no Grande ABC

Muitas vezes, nos deparamos com sequências de acontecimentos que, em meio à correria diária, acabam ficando em segundo plano, com pouca ou nenhuma menção em nossos espaços cibernéticos. Recentemente, o Grande ABC ofereceu uma série de demonstrações em torno da mentalidade rodoviarista, que ainda predomina e reforça o triste diagnóstico da mais recente edição da Pesquisa Origem e Destino. A cobertura pouco crítica da imprensa local, que costuma ser ainda mais fraca do que os veículos sediados na capital, contribui para criar um clima de propaganda e normalização, sem suscitar grandes dores de cabeças às prefeituras.

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São Paulo é refém de preservacionismos com critérios duvidosos

Sobre a recente demolição do edifício da Cultura Inglesa que funcionava na rua Deputado Lacerda Franco, classificado no Instagram como “icônico” e “de valor histórico” por Nabil Bonduki (PT), queremos aproveitar para reeditar alguns comentários na forma de um artigo, para que nosso latim não seja enterrado no submundo das redes pegajosas de Mark Zuckerberg. De partida, há que se compreender que as pessoas (frequentadoras e, sobretudo, moradoras) do bairro ou da vizinhança mais imediata, correspondem a uma pequena fração da cidade, não podendo ser descartada a possibilidade de protagonismo nas opressões em escala metropolitana que estão ligadas com a preservação de tecidos (ou seja, fragmentos do espaço que humanos transformam para viver) repletos de edifícios de baixo gabarito (ou seja, de pouca altura) e baixa densidade (ou seja, que abrigam poucos habitantes). Pinheiros é apenas um bairro.

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Dane-se Pinheiros e a esquerda caviar

Quando figuras proeminentes da esquerda brasileira, como Nabil Bonduki (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) publicam em suas redes sociais, sempre vale avaliar não só os comentários, mas a moderação (ou a falta dela) em relação às ideias de potenciais pessoas eleitoras. Seriam alguns comentários um termômetro de um eleitorado que demonstra ser viciado em volante e cidades pouco densas e muito segregadas? Aparentemente, sim. As tristes demonstrações são constantes e é difícil observá-las com passividade.

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Túnel denunciado pelo COMMU é cancelado, mas continua nas Metas da prefeitura. Como ajudar

Contextualização A proposta de um túnel de 600 milhões de reais para evitar um único semáforo para carros na Sena Madureira, Vila Mariana, sofreu uma grande derrota após o anúncio de cancelamento do contrato. Ricardo Nunes, no entanto, estabeleceu a construção do túnel na Meta 40 do Programa de Metas para esta gestão, já tendo anunciado uma nova licitação antes mesmo da desmobilização do canteiro atual. Nós, que não detemos poder econômico sobre a política, só temos a organização como forma de resistência. Como o Programa de Metas deve passar obrigatoriamente por consulta pública, criamos um guia de como você, leitor, usuário do transporte público, ciclista, mãe, caminhante, trabalhador, pensionista, militante — enfim, todos que não serão beneficiados por um contrato de R$ 600 milhões de reais, organizado por um cartel de empreiteiras — pode se manifestar contra o túnel e, de quebra, estabelecemos uma proposta de construir o Corredor de Ônibus Sena Madureira no lugar.

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Paisagens invisíveis

Prólogo Pequenas alterações foram realizadas para explorar possibilidades inexistentes na rede social, além disso, foram feitas pequenas alterações para adequar o conteúdo à proposta do site. Superlotação: subproduto de uma paisagem excludente Legenda: Versão sem recorte da publicação original, de 3 de março. Trem superlotado no Serviço 710 (embarque para viagem entre as estações Ipiranga e Santo André), pico vespertino. Clique para abrir e ampliar “ O problema nunca foi "gente demais". Fim de papo. Não ataque as periferias. Questione privilégios. Ninguém aqui está dissimulando. Ninguém aqui está defendendo construtora.

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