O Coletivo Em Movimento

Cidades sem rumo

Ainda que nem sempre possamos externar no Facebook nossa insatisfação, desempenhamos um esforço tentando acompanhar os mandatos de todo o legislativo dos municípios atendidos pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), ou seja, pelas câmaras municipais da capital e mais vinte e duas outras cidades distribuídas na Região Metropolitana de São Paulo e na Aglomeração Urbana de Jundiaí, além disso, tentamos acompanhar também as atividades da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ligada à esfera estadual de governo.

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O campo progressista só pode estar de brincadeira

Antes de começar, saliento que os debates sobre temas como passe livre e faixas exclusivas que, sem sombra de dúvida, possuem grande importância, seguem restritos, pior ainda, seguem sazonais, ocorrendo geralmente depois do incêndio, numa eterna e pouco frutífera corrida contra o tempo. O campo progressista (e a esquerda, principalmente), precisa colocar as mãos na cabeça e adotar uma postura mais pragmática, coesa e robusta em prol de uma agenda para a mobilidade na cidade. É nítido que o fenômeno que consolidou a cidade como principal habitat do brasileiro não vai ser revertido. A cidade corresponde ao lugar no qual passamos e passaremos a maior parte de nossas vidas, porém, ainda assim não o discutimos muito, não gostamos de falar sobre ele e não nos debruçamos sobre os problemas adequadamente. A cidade não vai deixar de existir da noite para o dia, nem perderá o protagonismo que já adquiriu. Urge que olhemos para a cidade com disposição para encarar todos os desafios a ela associados.

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Opção pelo financiamento coletivo reforça compromissos importantes

Recentemente expliquei que a maior parte do trabalho do COMMU é feito por uma única pessoa e, assim sendo, nada mais justo do que tentar recompensá-la, porém, algumas coisas não foram ditas e gostaria de esclarecer outros aspectos sobre a campanha de financiamento que está no ar. Uma coisa importante é que desde o princípio nós apostamos na plataforma Medium, que chegou a ter curadoria em português do Brasil e inclusive a destacar artigos nossos na época. O Medium tem inúmeras vantagens, como a facilidade de produzir conteúdo a partir de um editor intuitivo e de simples utilização, estar sempre no ar, suportar feeds RSS sem necessidade de configuração adicional e, principalmente, não exibir propagandas indesejadas.

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Está no ar a campanha de financiamento coletivo do COMMU

A partir do último sábado, 05/01/2019, passou a ser possível apoiar as iniciativas do COMMU via crowd funding (financiamento coletivo). Estou ansioso para tentar chegar mais longe e continuar na ativa. Com o agravamento da crise econômica e as experiências adquiridas desde 2014, ficou evidente que o COMMU depende principalmente de uma única pessoa (ou seja, eu, Caio César) para quase tudo. E o quase tudo, quando colocado na pontinha do lápis consome tempo, saúde e dinheiro. A estratégia de continuar utilizando o Telegram como celeiro de ideias e espaço de discussão segue existindo, no entanto, apenas um grupo de discussões com dezenas de pessoas não é suficiente. Acredito genuinamente que as ações do COMMU poderiam ser muito melhores com mais gente e mais recursos. Desafios à parte, já são cerca de 200 artigos publicados, uma marca louvável considerando como foram produzidos. Não dá pra desistir agora.

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Reclame menos e colabore mais

Durante os últimos meses tem sido particularmente difícil produzir conteúdo para o COMMU, na realidade, nunca foi fácil, mas algumas reações de leitores e seguidores suscitam um verdadeiro sentimento de revolta, daí o título “Reclame menos e colabore mais”. Desde que começamos a “brincadeira” de escrever com profundidade, fugindo de um olhar distante e descompromissado (que, por sinal, é típico da imprensa tradicional), recebemos pouca ou nenhuma contribuição. Um elogio aqui e outro acolá, sim, recebemos, mas não é comum receber mensagens oferecendo ajuda ou de pessoas interessadas em participar com maior proximidade. Para que um coletivo seja coletivo, ele precisa de pessoas. Falar de transporte coletivo, que é algo que a maioria da população usa, deve atrair pessoas, certo? Errado! A realidade tem nos enviado sonoros nãos, dia após dia.

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Retrocessos exigem serenidade

Enquanto a capital paulista vive altos e baixos, colecionando retrocessos, como a redução da prioridade aos ônibus, ameaças à infraestrutura cicloviária e aumento nas velocidades máximas das marginais, é preciso buscar serenidade para que a emoção não substitua completamente a razão, dificultando ainda mais o diálogo entre atores antagônicos, principalmente quando estes não passam de cidadãos comuns, os elos mais frágeis e mais numerosos de todo o processo político. Infelizmente, a metrópole continua implorando por infraestrutura, o que não é, absolutamente, “mais do mesmo”, mas resultado de um processo perverso de periferização.

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Percepções

O primeiro desafio era produzir algo diferente. Nas conversas entre membros, ficava claro que a cobertura da imprensa não agradava. Não agradava pois era rasa, sensacionalista ou até mesmo desonesta. Ficava claro que produzir análises mais aprofundadas não era o forte dos maiores e mais poderosos meios de comunicação, por outro lado, a mídia não hegemônica estava — e continua — fazendo um trabalho ruim, de baixa qualidade mesmo, pois o desejo compreensível de produzir um contraponto não se sustentava pela maneira como a postura opositora se dava, tão mesquinha e capturada por certos atores do plano político, que asfixiava qualquer chance de produção de uma análise mais rica.

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Embarque com a gente!

Nosso caminho tem sido apontar os problemas e discutir soluções, tem sido mostrar que o mesmo que sistema que causa inegável sofrimento e cansaço, também é responsável por sustentar relações sociais e territoriais que influenciam diretamente na economia e no acesso a equipamentos públicos e privados dos mais diversos. Precisamos do transporte coletivo, mas não somente, precisamos aprender a discuti-lo. Para que nossas cidades sejam capazes de nos proporcionar uma melhor qualidade de vida, inclusive com uma menor necessidade de longos deslocamentos, o transporte coletivo precisa funcionar muito bem, para tanto, suas relações com o planejamento urbano não podem ser subestimadas. Uma cidade para pessoas passa pelo equilíbrio entre infraestrutura de transporte e uso e ocupação do solo, não há como escapar, cedo ou tarde, o assunto precisará ser colocado às claras para discussão, assim, é chegada a hora de admitir que existe um tabu e somente nossos artigos não serão capazes de rompê-lo.

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Estrangeiros no próprio país

Em primeiro lugar, não, não quero falar aqui sobre uma região de 20 milhões nas quais ninguém precisa gastar horas e horas se deslocando, não por desmerecer aqueles que acreditam em algo assim, mas por entender que a missão do Coletivo é lutar por um melhor transporte coletivo, que por sua vez, representa os alicerces para uma cidade mais humana e racional, na qual o transporte coletivo é uma ferramenta de acesso que não deixa cicatrizes, na qual o transporte coletivo não é um triste espelho de realidades e dilemas que são, em muito, fruto de uma cidade voltada para o automóvel e na qual as áreas com melhor infraestrutura de transporte possuem um valor de m² pornográfico.

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Eles não desistem!

E saiu mais um editorial pra lá de questionável do Estadão, que faz uso de argumentos baseados numa necessidade de rigorosos estudos de demanda e impacto de vizinhança para justificar a expansão cicloviária (dando a entender que absolutamente nada existe, o que não é bem verdade). Novamente, não ficaremos calados! A verdade é uma só: o Estadão é, historicamente, conivente e negligente na cobertura das questões do transporte coletivo em toda a metrópole, de Francisco Morato a Mogi das Cruzes, de Itapevi a Rio Grande da Serra, passando pelas regiões mais nobres ou mais estigmatizadas da capital paulista, o periódico sempre mediu esforços, tendo uma equipe minúscula (principalmente nos dias atuais) e, não seria exagero dizer, nada incentivada a pautar com seriedade e abrangência o transporte metroferroviário e o incentivo irresponsável ao automóvel (que não é restrito ao IPI, como alguns tentam mostrar, criticando seletivamente parte do Estado Brasileiro). Como esperar uma cobertura razoável de questões ligadas às bicicletas, não é mesmo? Finalmente, o mesmo tabloide não envida esforços similares na cobertura de questões ligadas ao automóvel ou à matriz logística rodoviária, sendo pouco crítico com relação ao uso indiscriminado do carro, à baixa segurança dos carros populares, à poluição atmosférica, à má ocupação do solo urbano e à ausência de opções às rodovias para deslocamentos de cunho regional (como uma simples ida ao litoral, feita por pessoas das mais variadas classes pelo menos uma vez por ano).

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