Jornalismo

Trens não operam no vácuo e merecem mais conversas adultas

Acredito que problematizar o uso e ocupação do solo é indispensável para que a sociedade rompa com discursos eleitoreiros e oportunistas envolvendo o transporte sobre trilhos. A natureza do transporte sobre trilhos pode ser descrita como indelével e impactante, ou seja, dependente de obras caras, demoradas, que causam grandes incômodos e transformam a paisagem de uma maneira praticamente irreversível. A natureza do transporte sobre trilhos, entretanto, não torna a malha homogênea. A distribuição dos trilhos pelo espaço não se traduz numa mesma capacidade de acesso ou numa mesma conectividade. Não se traduz, nem mesmo, numa mesma qualidade urbanística das cercanias (ou seja, das imediações das linhas) ou de uma taxa de atividade similar (relação entre pessoas residentes e empregos gerados localmente).

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O contorcionismo urbanístico de Bob Fernandes e Mauro Calliari

Em 21 de janeiro, Bob Fernandes entrevistou o doutor em urbanismo Mauro Calliari, que mais uma vez poderia ter sido menos genérico e mais cuidadoso em suas colocações, principalmente após nos presentear com platitudes em torno da rodovia Raposo Tavares no final de 2024. Legenda: Vídeo de 21 de janeiro do canal de Bob Fernandes Sendo muito objetivo, eu perdi uma hora do meu precioso tempo para ouvir ainda mais platitudes! O âncora, apesar da longa trajetória jornalística, não parece ter se preparado adequadamente e deixou escapar muito senso comum sobre temas ligados ao urbanismo, num país que, como admitiu o doutor, tem a maioria de sua população vivendo em cidades. Será que a maioria de nós não merecia mais respeito?

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Sim, adensa e deixa congestionar

Prólogo Este artigo é produto de uma série de comentários elaborados em abril de 2024, envolvendo uma verdadeira “salada” de assuntos interconectados. Seu subúrbio não é especial Sobre a privatização do trecho mais conflituoso da rodovia Raposo Tavares (entre São Paulo e Cotia), com previsão de alargamento, desapropriações e cobrança de pedágio, é preciso coragem para afirmar: quem se opõe também contribuiu para semear o projeto que se aproxima. Quando o problema estava fora dos bairros afetados pela concessão, estava tudo bem. Pedágio na rodovia ditador Castello Branco? Ok. Pedágio no sistema Anhanguera-Bandeirantes? Manda bala. Pedágio na dupla Dutra-Trabalhadores? Excelente, principalmente na Dutra.

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Arqos promete “cidade de 15 minutos” nas franjas do Tamboré. Viva a descentralização?

Depois do greenwashing, vem aí o timewashing? Na primeira metade de setembro, eu comentava com outros integrantes deste Coletivo sobre o que denominei “mais uma suburbada no oeste”. Após abordar o empreendimento Fazenda Itahyê, chegou a vez de falar do DISTRITQ (lê-se “distrito”), da incorporadora Arqos. Mais um empreendimento que recicla a ideia de centros de apoio da Alphaville Urbanismo, porém, sem arrasar o meio físico (terraplanando e criando urbanizações suscetíveis a alagamentos, para ser gentil na crítica).

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Direito de criticar a preservação das Vilas do Sol deve ser respeitado

Para defender um centro comercial e residencial de luxo, a Gazeta de Pinheiros, mais uma vez, retomou a interpretação ingênua do Plano Diretor Estratégico, reforçando uma noção genérica de “trabalhadores” e “interesses imobiliários”. Em tela, mais uma vez, quem especula com restrições artificiais é tratado como herói, enquanto a produção imobiliária é generalizada como uma casca vazia e de utilidade duvidosa. Legenda: Galeria da viagem ao quadrilátero em abril de 2024. Acessar o local no horário de pico vespertino a partir da Zona Leste é didático: superlotação para os mais pobres que voltam para seus lares, ociosidade no contra-fluxo para os mais ricos. O quadrilátero poderia ocupar tranquilamente o térreo e alguns andares de um ou mais edifícios de uso misto, abrindo espaço para muito mais gente desfrutar do local, mas nossa sociedade continua escolhendo os caminhos mais difíceis para preservar privilégios e irracionalidades. Clicar numa fotografia a abre na galeria com controles de navegação próprios Infelizmente, o desafio de dialogar sobre especulação é que ela, como tenho tentado explicar, é naturalizada. Ninguém compra imóvel esperando depreciação. Ninguém disputa abertamente dizendo: “quero que o preço caia tanto a ponto de ensejar prejuízo a quem comprou na última década”. Enquanto for assim, não é possível atribuir a especulação como uma característica intrínseca de quem constrói, até porque, pouco tem sido feito para capturar a produção formal.

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Novo bairro “preguiçoso” em Jundiapeba: paraíso ou pesadelo?

Introdução Este artigo foi motivado por fala recente do vereador Iduigues Ferreira Martins (PT), destacada no Instagram pela agência de notícias Vanguarda Alto Tietê. Bem-intencionado, o vereador sugere a necessidade de equilibrar progresso e fluidez viária, porém, a preocupação excessiva com veículos de passeio, longe de ser exclusiva da política mogiana, merece ser problematizada. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Vanguarda Alto Tietê (@vanguardaaltotiete)

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Jornal da Gazeta desinforma ao discutir verticalização a partir de Pinheiros

Introdução O Jornal da Gazeta veiculou em 29 de março, sexta-feira, uma problemática reportagem. Mais uma vez, as críticas em torno da verticalização aparecem em tom raso e egoísta, oferecendo verniz de relevância a opiniões e emoções sem o devido amparo técnico. Legenda: Reportagem “Demolição de bar histórico reacende discussão sobre a verticalização em São Paulo”, publicada no canal do Jornal da Gazeta no YouTube Contando com o previsível protagonismo do Pró-Pinheiros, que reúne diferentes associações de bairros ricos e urbanisticamente reacionários do Centro Expandido paulistano, a reportagem esgarça em seu título a importância de um boteco de gosto duvidoso. O resultado é uma tentativa frustrada de projetá-lo sobre toda a capital paulista, o que nem de longe é demonstrado em pouco menos de cinco minutos de material.

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Num xadrez marcado por egoísmo e anseios autoritários, editorial do Estadão parece ironia

O artigo a seguir é uma adaptação de duas sequências de posts no X, feitas em 25/12/2023 e 21/12/2023 pelo nosso membro Caio César. Chega a ser irônico evidenciar a publicação do editorial “Descaso com a cidade de São Paulo” pelo Estadão, jornal que, alertando contra “aventureiros”, sugeriu o voto no atual governo municipal em 2020, entretanto, mais do que a ironia do destino, o texto também une esquerda e direita reacionárias e privilegiadas.

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COMMU identifica outro mega-empreendimento pouco discutido

Prólogo Enquanto reacionários encabeçados, principalmente, por urbanistas de esquerda e associações bairristas de direita, brigam para preservar a paisagem de baixa densidade do Centro Expandido da capital paulista, atuando como uma linha auxiliar à direita do prefeito Ricardo Nunes (MDB), grandes empreendimentos continuam surgindo nas franjas metropolitanas. Depois de Mogi das Cruzes, a bola da vez parece estar em Santana de Parnaíba, município do oeste metropolitano que se notabiliza pela condominialização impulsionada direta ou indiretamente pela “grife” Alphaville.

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Reflexões sobre cobrança de pedágio na Mogi-Dutra

O Diário de Mogi tem encampado a luta (de classe média e alta, aparentemente) contra o pedágio na rodovia Mogi-Dutra. Nada de errado em questionar, ainda que veladamente, o pequeno estelionato eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos) que havia prometido interromper o processo iniciado no governo de Rodrigo Garcia (PSDB), bem como o produto direto da privatização a partir de uma concessão, que é a construção de uma ou mais linhas de receita.

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