Política

Intelectuais hipócritas contribuem para eleições frustrantes

Eu mal consigo articular minha frustração com o resultado eleitoral, mas estou pensativo: passei os últimos anos discutindo com uma pilha de imbecis que moram em bairros centrais e caros como Pinheiros e Moema. Eram bolsonaristas? Não, eram eleitores endinheirados do PT (Partido dos Trabalhadores), do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e do PSB (Partido Socialista Brasileiro). Um outro tipo de reacionário votando à esquerda. Gente que, sob minha ótica, mina partidos por dentro com pautas reacionárias revestidas por um progressismo teatral, com vocabulário cuidadoso e hipocrisia sofisticada.

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Habitação: discursos hegemônicos são pouco relevantes

Discursos de milhões Provavelmente, vou me repetir, mas a discussão envolvendo cidades e meios de transporte é extremamente ingrata: quem mais precisa participar dela está ausente, tentando sobreviver; quem pode participar, infelizmente, impõe uma série de custos e barreiras que não contribuem para incluir quem está alijado. Toda vez que embarcamos em ou facilitamos discursos que ignoram a informalidade que transforma a paisagem das nossas cidades ou que distorcem dinâmicas de mercado com moralismo seletivo, abafando o preço na base do grito, estamos contribuindo para uma série de derrotas que afetam as maiorias. E é nas maiorias que encontramos as pessoas com as maiores dificuldades para morar e acessar emprego e renda.

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Estadão vomita editorial canalha para defender fim da CPTM

No calor da mobilização que culminou na paralisação parcial das linhas 11-Coral (Palmeiras·Barra Funda-Estudantes), 12-Safira (Brás-Calmon Viana) e 13-Jade (Eng. Goulart-Aeroporto·Guarulhos), o tabloide conservador Estadão decidiu que seria de bom tom publicar um editorial a respeito, intitulado “Greve irresponsável”. Quem gosta de bater, também precisa saber apanhar. Vamos ao exercício. De partida, o Estadão tenta esvaziar a legitimidade da greve sob o pretexto de que teria sido política, como se o momento atravessado pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e seus trabalhadores, não fosse, de maneira óbvia e escandalosa, eminentemente político, no bojo de uma série de decisões que têm sido suportadas de forma mais ou menos silenciosa há, pelo menos, quase uma década.

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Cinismo, hipocrisia e habitação social

Problema como solução de outro problema Uma questão recente que muito deveria incomodar diz respeito às fraudes com habitação social. Este, ao contrário do que pode parecer de imediato, principalmente quando comparado a outras questões nas quais o Coletivo se debruça, como concessões que reduzem a qualidade dos serviços e regiões metropolitanas que não funcionam pelo excesso de municipalismo e ausência de mecanismos de governança, é um problema excelente. Por que é excelente? É excelente devido à materialidade: as unidades foram construídas. Num contexto em que um dos principais nomes da arquitetura e do urbanismo da USP (Universidade de São Paulo) não teve vergonha de dizer que “todo mundo quer poder morar numa casa, ou num bairro que tenha uma verticalização não tão grande”, há que se questionar o tipo de política pública que os nomes ligados ao LabCidade são capazes de produzir, principalmente quando romantizam favelas e são levemente antagonizados por um de seus colegas, ou quando já afirmaram num encontro em maio de 2025 que…

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Discutir cidades requer mais nuances

Recentemente, enquanto buscava novidades no mercado imobiliário, acabei me deparando com uma reportagem do Valor Econômico publicada em janeiro. Intitulado “Arquitetos querem mais do que seus ‘carimbos’ nos prédios”, o texto consulta arquitetos e figuras ligadas à incorporação, sendo oportuno para um coletivo que, como o nosso, trata da mobilidade no espaço que pode ter sido ou estar sendo transformado pelas figuras entrevistadas. De partida, cito a fala de Igor Melro, diretor comercial da Porte Engenharia e Urbanismo, que tem atuação relevante no segmento de alto padrão do Tatuapé e do Jardim Anália Franco. Melro revela uma tensão entre ousar e lucrar. A vanguarda pode ser um obstáculo e não há como tentar ousar operando no prejuízo.

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A cidade não cabe no sobrado

Introdução No final de outubro, Vicente Vilardaga, em sua coluna “Andanças na metrópole”, publicada pela Folha de S.Paulo, escreveu artigo intitulado “Os problemas causados pela verticalização desenfreada em São Paulo”. Infelizmente, aprendi que, no ativismo, não basta defender um ideal, é preciso defendê-lo de infinitas maneiras e infinitas vezes. Nada do que direi a seguir é uma novidade, mas talvez apresente uma roupagem diferente, capaz de contribuir positivamente para um debate que, com o perdão da franqueza, tem se perdido na romantização de paisagens bastante específicas.

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Paralisia e a cidade contra a cidade

Contextualização Nos últimos meses — ou seriam anos? —, tenho observado padrões preocupantes e saturado meus companheiros deste Coletivo com mais ou menos os mesmos assuntos, ainda que a roupagem pareça diferente num ou noutro momento. Como todo trabalho voluntário, o que faço aqui acaba entrelaçado com a minha vida, não se resumindo meramente a trabalho (de campo, de produção textual, fora momentos torturantes à frente do Instagram). Na maior parte do tempo, eu também lido com decisões difíceis, às vezes, paralisantes.

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Raça, urbanismo e o tabu brasileiro

Introdução Nos Estados Unidos, é comum que o debate urbano associe nimbysmo e raça: redlining, white flight, zoneamento excludente. Textos no New York Times (aqui e aqui, por exemplo) ou The Atlantic (aqui e aqui, por exemplo) tratam abertamente de como a segregação urbana e a racial se entrelaçam. No Brasil, essa associação permanece um tabu nas escassas discussões sobre cidades. Preferimos falar em “preservação do verde”, “patrimônio” e “modos de vida”, contudo, o resultado é o mesmo: exclusão de populações pobres e, não raramente, racializadas, dos centros urbanos.

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É claro que o Serviço 710 foi para o vinagre! Pelo fim da amnésia eleitoral

A princípio, estava relutante em escrever sobre o melancólico fim do Serviço 710, responsável por oferecer uma operação unificada das linhas 7-Rubi (na altura, Jundiaí-Francisco Morato-Brás) e 10-Turquesa (então, Brás-Rio Grande da Serra). Relutei não por não achar relevante, mas por achar cansativo. Legenda: Detalhe de diagrama do Serviço 710 na plataforma com destino a Francisco Morato/Jundiaí, na Estação Tamanduateí. Retrato do passado. Fotografia de outubro de 2024 Não há novidade em mais um ataque contra a população usuária, que tem seu bem-estar refém de arranjos privatizantes que unem os governos estadual e federal. Aliás, não há, nem mesmo, solidariedade. Como boa parte das causas ligadas à maioria do povo, o Serviço 710 passou em branco. Foi ignorado, marginalizado, trivializado.

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O “bosque” e a cidade: entre a árvore e o erário

Prólogo No dia 25 de maio, moradores da Zona Oeste de São Paulo organizaram um protesto contra a derrubada do chamado Bosque dos Salesianos. A área verde, localizada no Alto da Lapa, pertence à iniciativa privada e foi vendida à incorporadora Tegra para a construção de um condomínio residencial. A Justiça chegou a suspender as obras, mas a decisão foi revertida, e agora basta a assinatura de um secretário municipal para que a construção seja liberada. O movimento contrário ao empreendimento denuncia o risco de perda de uma área arborizada com valor histórico e ambiental.

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