São Paulo

Intelectuais hipócritas contribuem para eleições frustrantes

Eu mal consigo articular minha frustração com o resultado eleitoral, mas estou pensativo: passei os últimos anos discutindo com uma pilha de imbecis que moram em bairros centrais e caros como Pinheiros e Moema. Eram bolsonaristas? Não, eram eleitores endinheirados do PT (Partido dos Trabalhadores), do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e do PSB (Partido Socialista Brasileiro). Um outro tipo de reacionário votando à esquerda. Gente que, sob minha ótica, mina partidos por dentro com pautas reacionárias revestidas por um progressismo teatral, com vocabulário cuidadoso e hipocrisia sofisticada.

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Habitação: discursos hegemônicos são pouco relevantes

Discursos de milhões Provavelmente, vou me repetir, mas a discussão envolvendo cidades e meios de transporte é extremamente ingrata: quem mais precisa participar dela está ausente, tentando sobreviver; quem pode participar, infelizmente, impõe uma série de custos e barreiras que não contribuem para incluir quem está alijado. Toda vez que embarcamos em ou facilitamos discursos que ignoram a informalidade que transforma a paisagem das nossas cidades ou que distorcem dinâmicas de mercado com moralismo seletivo, abafando o preço na base do grito, estamos contribuindo para uma série de derrotas que afetam as maiorias. E é nas maiorias que encontramos as pessoas com as maiores dificuldades para morar e acessar emprego e renda.

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São Paulo abre inscrições: vai pagar ciclistas da periferia para pedalar

Legenda: Adaptado de publicação no Instagram A prefeitura de São Paulo, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo), vai iniciar o 2° projeto piloto do Bike SP e está com inscrições abertas. Trata-se de reconhecer os benefícios que os deslocamentos feitos de bicicleta trazem à cidade e estimular esta prática de forma direta, remunerando cada km percorrido nos trajetos cotidianos com um valor em créditos. Faz anos que discutimos esse projeto, aprovado no final da gestão Haddad e que atravessou as gestões Dória, Bruno Covas e Ricardo Nunes sem regulamentação. Cobrado mensalmente pelos membros da Câmara Temática de Bicicleta, o projeto vem se desenvolvendo em ritmo glacial, sempre com a justificativa da necessidade de “mais estudos”.

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Debate insosso encontra redes sociais repletas de idiotas

Prólogo O clima pós-debate é de profunda imbecilidade. A rivalidade é puramente superficial. O caráter propositivo se perde em meio a rótulos como “pior prefeito de São Paulo”, “pior ministro”, “Pedágio de Freitas” etc. Legenda: Vídeo com a íntegra do debate no canal Band Jornalismo no YouTube. Até o momento, número de visualizações ultrapassa o meio milhão Tudo isso é uma formidável burrice. Se poderia haver lastro para a trajetória política e pessoal, ele é perdido (ou desprezado) por premissa comportamental. A disputa é entre achismos. O rótulo que pegar, pegou.

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Ônibus em São Paulo: outra audiência “mais do mesmo”?

Graças à gentileza do nosso membro Lucian De Paula, soube que o vereador Nabil Bonduki (PT) realizará uma audiência pública na data de hoje. A iniciativa é um esforço conjunto com a vereadora Renata Falzoni (PSB). Estranhamente, não consegui encontrar uma divulgação recente da audiência nas redes sociais dos dois mandatos (considerando X e Instagram). O evento parece ter circulado apenas pelo WhatsApp, o que não inspira lá muita confiança, lamento.

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A rede invisível

Introdução Em 22 de maio, detectei que um trabalho potencialmente interessante apareceu no Teses USP, mas, ao folheá-lo, fiquei com a impressão de que ele falhou na interpretação da malha. A seguir, quero discutir o que pode ser considerado um conjunto de impressões preliminares e, ao mesmo tempo, parte de uma leitura que talvez não volte a ser retomada. Não prometo uma segunda ou terceira parte sobre o trabalho que abordo a partir deste ponto.

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Cinismo, hipocrisia e habitação social

Problema como solução de outro problema Uma questão recente que muito deveria incomodar diz respeito às fraudes com habitação social. Este, ao contrário do que pode parecer de imediato, principalmente quando comparado a outras questões nas quais o Coletivo se debruça, como concessões que reduzem a qualidade dos serviços e regiões metropolitanas que não funcionam pelo excesso de municipalismo e ausência de mecanismos de governança, é um problema excelente. Por que é excelente? É excelente devido à materialidade: as unidades foram construídas. Num contexto em que um dos principais nomes da arquitetura e do urbanismo da USP (Universidade de São Paulo) não teve vergonha de dizer que “todo mundo quer poder morar numa casa, ou num bairro que tenha uma verticalização não tão grande”, há que se questionar o tipo de política pública que os nomes ligados ao LabCidade são capazes de produzir, principalmente quando romantizam favelas e são levemente antagonizados por um de seus colegas, ou quando já afirmaram num encontro em maio de 2025 que…

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Discutir cidades requer mais nuances

Recentemente, enquanto buscava novidades no mercado imobiliário, acabei me deparando com uma reportagem do Valor Econômico publicada em janeiro. Intitulado “Arquitetos querem mais do que seus ‘carimbos’ nos prédios”, o texto consulta arquitetos e figuras ligadas à incorporação, sendo oportuno para um coletivo que, como o nosso, trata da mobilidade no espaço que pode ter sido ou estar sendo transformado pelas figuras entrevistadas. De partida, cito a fala de Igor Melro, diretor comercial da Porte Engenharia e Urbanismo, que tem atuação relevante no segmento de alto padrão do Tatuapé e do Jardim Anália Franco. Melro revela uma tensão entre ousar e lucrar. A vanguarda pode ser um obstáculo e não há como tentar ousar operando no prejuízo.

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As cortinas transparentes do teatro da teimosia

Na semana que se passou, tivemos dois pequenos dramas de classe média no microscópico círculo que mescla urbanismo, política e cinismo — um círculo onde o comportamento NIMBY (Not In My Backyard) encontra abrigo em vocabulário progressista: moradores que se opõem a projetos de adensamento em suas vizinhanças, mesmo reconhecendo a necessidade deles em outros locais. Primeiro, Nabil Bonduki continuou sua epopeia em torno das esvaziadas galerias comerciais da rua Augusta; segundo, uma série de figuras, incluindo nomes como Miguel Falabella e a revista Veja São Paulo, choraram por um teatro que não havia sido demolido, com base numa dramatização renderizada com auxílio de inteligência artificial.

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Situação da Enel expõe drama do estado mínimo

A situação da antiga estatal italiana, hoje uma multinacional, Enel (que significava Ente nazionale per l'energia elettrica), parece expor muito mais do que a incompetência (deliberada ou não) de uma operação privatizada, mas também a deterioração das capacidades de Estado. Ontem, 15, a RMSP (Região Metropolitana de São Paulo) ainda tinha quase 100 mil imóveis sem luz, segundo o G1. De um lado, o governo municipal encabeçado por Ricardo Nunes parece minorar a importância do manejo arbóreo e, mais ainda, a responsabilidade difusa quando há compartilhamento: a prefeitura precisa podar ou remover, mas as árvores podem estar em contato com a rede elétrica concedida à Enel. A coordenação entre a prefeitura e a distribuidora é claramente deficiente.

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