Notícias abordando as estratégias de contenção de fluxo de passageiros na Linha 15-Prata (Vila Prudente-São Mateus) parecem ter desencadeado a noção de que uma das mais novas linhas da Companhia do Metropolitano de São Paulo, poucos meses após chegar em São Mateus, na periferia da capital paulista, teve sua capacidade esgotada. Nada mais falso.
Segundo dados oficiais acerca da infraestrutura, sabe-se que 189 carros integram a frota da Linha 15-Prata, sendo que as composições, que possuem 7 carros cada, nos picos circulam a cada 3 minutos e 40 segundos (204 segundos). Ora, se as composições possuem 7 carros cada, temos 189 ÷ 7 = 27 trens. Ora, se a cada 3,4 minutos um trem passa, temos 60 ÷ 3,4 = 17 trens/hora. Cada trem possui capacidade de carregar pouquíssimo mais que 1.000 passageiros, de forma que a oferta é de cerca de 17 mil lugares/hora. Como a linha opera em via dupla, a oferta deve ser calculada por hora e por sentido, então, simplificadamente, são 17 mil lugares/hora por sentido ou 34 mil lugares/hora no total. Não é uma capacidade impressionante, porém, a linha foi projetada para operar com 75 segundos de intervalo nos picos, não 204 segundos. Numa postura cética e conservadora, mesmo que os 75 segundos sejam uma capacidade estritamente de projeto, sem viabilidade técnica, poderíamos assumir 120 segundos (2 minutos) de intervalo possível nos picos, o que exigiria mais trens e a operação do Pátio Ragueb Chohffi, mas significaria uma oferta de 30 mil lugares/hora por sentido ou 60 mil lugares/hora no total. A capacidade quase dobrou e a redução foi apenas 1 minuto e 40 segundos. Não tem segredo.
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