Nada contra Paris, mas a São Bernardo do Campo chego de ônibus
Há alguns dias, voltei a me deslocar diariamente para São Bernardo do Campo[1] e, ao longo de uma semana, suspeito que já acumulei material suficiente para fomentar discussões por meses, escrevendo artigos, publicando no Instagram, dialogando internamente com outros membros no Telegram, etc. E é sobre isso que eu gostaria de falar, sobretudo, para alfinetar o que parece um curioso “processo de filtragem”, deliberado ou não, que reproduz ou escancara profundas contradições de classe. Em outras palavras, eu gostaria de problematizar “nossa vizinhança” mais uma vez, pois uma parcela da militância — aquela de renda mais elevada — enxerga Paris, mas não sabe como chegar a São Bernardo do Campo de ônibus. Na minha opinião, o debate está sendo contaminado.